UOL Cinema

01/10/2010

"Filme Cultura" volta à cena

 

O título acima, bem ambíguo, admito, quer dizer o seguinte: "Filme Cultura" está sendo feito novamente.

 

Mas não sei se está circulando comercialmente. Volto ao assunto lá em baixo.

 

O certo é que está saindo o novo número da “Filme Cultura”, segundo da nova fase, agora editada pelo CTAv.

 

O número tem como centro o blockbuster, ou, como está na capa, o Arrasa Quarteirão.

 

Matéria em que o cinema nacional tem mostrado desenvoltura, nos últimos tempos e questão, sem dúvida, a debater.

 

Nos melhores dias de doença, aproveitei as longas sessões de inalação para ler a “Filme Cultura” original, que circulou a partir dos anos 60, ainda no tempo do INC.

 

Foi lançada agora em fac simile. Embora o papel seja mais pobre, a recuperação do pensamento crítico daqueles anos conflituados (em termos de disputa cinematográfica) é mais que interessante.

 

Mesmo que a revista expresse preferencialmente o ponto de vista de uma crítica mais próxima do INC de então, mesmo que por vezes Rossana Ghessa seja lançada como nossa grande atriz, o interesse é imenso.

 

Por exemplo: a eleição dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, naquele momento, dá resultados que hoje parecem, por vezes, mais que esquisitos.

 

As reflexões críticas eram fortes, mas em geral datadas. Vale aproveitar o lado “forte” da coisa, mas também atentar ao quanto o próprio cinema torna as idéias críticas ultrapassadas com uma rapidez por vezes penosa.

 

O único problema: onde é que se compra isso?

 

(Coisas do governo às vezes têm esse problema: se forem vendidas dá um rolo inacreditável. Pelo menos era assim no tempo da Funarte: tinha um monte de coisas interessantes que, simplesmente, não podiam ser comercializadas porque o órgão não podia vender etc. etc. etc.).

 

Por Inácio Araujo às 11h47


26/09/2010

O Último suspiro de Chabrol

 

Não sei a razão porque Imovision traz umas tralhas francesas (ou germano-turcas) e não deu a menor bola, até agora e ao que eu saiba, ao menos, a "Bellamy".

Me emprestaram uma versão internet desse belo filme.

Um rápido resumo: em férias, o Inspetor Bellamy é procurado por um homem que se diz responsável pela morte de outro homem. No fundo existe uma questão amorosa: ele queria se passar por morto, deixar uma apólice para a mulher, fugir com outra - se bem entendi.

Este homem mudou de nome e não parece mais quem era, por conta de uma plástica.

Ao mesmo tempo, ou quase, Bellamy recebe a visita de seu irmão, que é o oposto dele: esteve preso, é mau caráter, sofre horrivelmente etc.

A rigor, um filme sobre o outro que vive em nós. O irmão de Bellamy é o duplo maligno de Bellamy, assim como o outro homem, o que procura o inspetor, também se duplica, se torna dois, um vivo e outro morto, um inocente e outro culpado.

O filme me fez lembrar de "Os Primos", onde existe esse encontro entre primos tão diferentes, mas complementares. É como se este filme final rimasse totalmente com o do início da carreira (não lembro de Le Beau Serge / Nas Garras do Vício, que não vejo há seculos).

Mas no meio houve evolução, desse cineasta tão preocupado com a mise-en-scène, ele que criticava os colegas que usam a câmera "que nem vassoura", varrendo tudo o que tem pela frente.

A cena que começa com um regador no chão e termina, numa panorâmica vertical, com uma mulher morta me parece que vale o filme por si só.

A outra referência obrigatória é Fritz Lang e seu Mabuse. Obrigatória e, por sinal, evidente. Chabrol nos lembra no final aquela fuga espetacular do médico em quem vivia um outro homem (o dr. Mabuse, via escrita). Isso no segundo Mabuse, "O Testamento".

Enfim: que diabo acontece com nossa distribuição? É terrível não ter "Bellamy" por aqui.

Por Inácio Araujo às 16h03


Sobre o autor

Inácio Araújo é crítico de cinema do jornal Folha de S.Paulo, autor de dois livros sobre o assunto: "Hitchcock, o Mestre do Medo" e "Cinema, o Mundo em Movimento". É escritor, autor do romance "Casa de Meninas" (prêmio APCA de autor revelação, 1987, em 2a. ed. pela Imprensa Oficial do Estado/SP), do romance juvenil "Uma Chance na Vida".

Entre os anos 1970 e 1980, foi montador, roteirista e assistente de direção e montagem em diversas produções. Escreveu, montou e dirigiu "Aula de Sanfona", episódio do filme "As Safadas" (1982).

Sobre o blog

Quem primeiro sonhou com este título foi Jairo Fereira. Como ele o abandonou e deu a seu livro o nome "Cinema de Invenção", eu lhe disse que um dia faria alguma coisa com ele.

Que seja agora. O boca a boca foi a mais fantástica instituição do cinema. Alguém ia ver um filme, gostava, comentava com amigos. Eles iam ver e, com isso, filmes que às vezes haviam começado a carreira sem força, ganhavam bilheteria e ficavam várias semanas em exibição.

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