"Filme Cultura" volta à cena

O título acima, bem ambíguo, admito, quer dizer o seguinte: "Filme Cultura" está sendo feito novamente.
Mas não sei se está circulando comercialmente. Volto ao assunto lá em baixo.
O certo é que está saindo o novo número da “Filme Cultura”, segundo da nova fase, agora editada pelo CTAv.
O número tem como centro o blockbuster, ou, como está na capa, o Arrasa Quarteirão.
Matéria em que o cinema nacional tem mostrado desenvoltura, nos últimos tempos e questão, sem dúvida, a debater.
Nos melhores dias de doença, aproveitei as longas sessões de inalação para ler a “Filme Cultura” original, que circulou a partir dos anos 60, ainda no tempo do INC.
Foi lançada agora em fac simile. Embora o papel seja mais pobre, a recuperação do pensamento crítico daqueles anos conflituados (em termos de disputa cinematográfica) é mais que interessante.
Mesmo que a revista expresse preferencialmente o ponto de vista de uma crítica mais próxima do INC de então, mesmo que por vezes Rossana Ghessa seja lançada como nossa grande atriz, o interesse é imenso.
Por exemplo: a eleição dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos, naquele momento, dá resultados que hoje parecem, por vezes, mais que esquisitos.
As reflexões críticas eram fortes, mas em geral datadas. Vale aproveitar o lado “forte” da coisa, mas também atentar ao quanto o próprio cinema torna as idéias críticas ultrapassadas com uma rapidez por vezes penosa.
O único problema: onde é que se compra isso?
(Coisas do governo às vezes têm esse problema: se forem vendidas dá um rolo inacreditável. Pelo menos era assim no tempo da Funarte: tinha um monte de coisas interessantes que, simplesmente, não podiam ser comercializadas porque o órgão não podia vender etc. etc. etc.).
Por Inácio Araujo às 11h47



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