UOL Cinema

12/09/2010

Morreu Claude Chabrol

 

Claude Chabrol não era apenas um cineasta de primeira linha.

Era uma das pessoas mais agradáveis e felizes do mundo do cinema.

Sabia fazer filmes, sabia vê-los, sabia falar (e escrever, a seu tempo) sobre eles como poucos.

Não se levava excessivamente a sério. Tinha autocrítica bastante para, ao falar de, por exemplo, "Follies Bourgeoises", admitir, exageradamente, que era um dos piores filmes do mundo.

Mas tinha alguns dos melhores filmes franceses: Os Primos, O Açougueiro, Violette Nozíère, Um Assunto de Mulheres, Uma Garota Dividida em Dois, enfim, esses são os que lembro assim de cabeça, mas há outros, aquele em que a família é trucidada pelas empregadas, etc.

Fez alguns filmes absolutamente policiais e outros históricos, outros ainda de incrível sensualidade, como As Corças e Alice ou A Última Fuga, em que descobriu em Sylvia Kristel não apenas a mulher absurdamente bonita como uma atriz sensível.

Esteve em Paris e na Província, compôs praticamente um mapa da França a partir de um olhar penetrante e implacável, não raro, mas sempre provido de humor e simpatia pelos seus personagens.

Seus filmes eram populares, óbvios, se se quiser. Cinema sem símbolos. Aos poucos parece que é pouco compreendido.

Embora tenha filmes excelentes e outros bem ruinzinhos, essa irregularidade não o impede de ter uma obra muito viva e muito una.

Por outro lado... Aquele cara que era capaz de falar horas com um quase desconhecido sobre Hitchcock e Fritz Lang, sobre Rohmer e Nouvelle Vague, foi-se.

Uma perda para a Nouvelle Vague (mais uma), uma perda para a cinefilia, uma perda para a felicidade, no fim das contas.

Por Inácio Araujo às 19h36


Sobre o autor

Inácio Araújo é crítico de cinema do jornal Folha de S.Paulo, autor de dois livros sobre o assunto: "Hitchcock, o Mestre do Medo" e "Cinema, o Mundo em Movimento". É escritor, autor do romance "Casa de Meninas" (prêmio APCA de autor revelação, 1987, em 2a. ed. pela Imprensa Oficial do Estado/SP), do romance juvenil "Uma Chance na Vida".

Entre os anos 1970 e 1980, foi montador, roteirista e assistente de direção e montagem em diversas produções. Escreveu, montou e dirigiu "Aula de Sanfona", episódio do filme "As Safadas" (1982).

Sobre o blog

Quem primeiro sonhou com este título foi Jairo Fereira. Como ele o abandonou e deu a seu livro o nome "Cinema de Invenção", eu lhe disse que um dia faria alguma coisa com ele.

Que seja agora. O boca a boca foi a mais fantástica instituição do cinema. Alguém ia ver um filme, gostava, comentava com amigos. Eles iam ver e, com isso, filmes que às vezes haviam começado a carreira sem força, ganhavam bilheteria e ficavam várias semanas em exibição.

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