UOL Cinema

17/10/2009

Adeus Rosanna Schiaffino


O dia, em definitivo, não vai bem. Leio agora que morreu Rosanna Schiaffino. Na época de ouro, o cinema italiano tinha, entre outras, atrizes de fazer o chão tremer. A gente ia ao cinema para ver Silvana Mangano, Silvana Pampanini, Claudia Cardinale, Catherine Spaak, Sophia Loren, Marisa Alazio, Maria Grazia Bucella, Virna Lisi e várias várias outras de que não lembro agora. A Schiaffino era uma dessas. Abaixo, um trechinho dela com Jacques Perrin em "La Corruzione" (1963), que não me lembro de ter visto na época. Mas a sequência é bonita, vale para lembrá-la e honrá-la.

P.S. - Só de dormir e acordar lembrei que tinha esquecido três atrizes inesquecíveis: Monica Vitti, Alida Valli, Stefania Sandrelli, Rossana Podestá. São quatro, na verdade. Há mais...

Por Inácio Araujo às 20h39


Adeus Tropicália


Acabei de saber da perda, quase integral, da obra de Hélio Oiticica.

Mal acredito no que vejo. Acho que é pesadelo. É coisa sem volta. Quase a obra inteira? Será que é isso mesmo?

É que nem a Brasil Vita Filmes pegando fogo e tudo sumindo.

Caramba, a gente não aprende nunca?

Por Inácio Araujo às 18h01


16/10/2009

Volta a circular o "Jean Vigo" de Paulo Emilio

 

A CosacNaify começou como editora de livros de arte.

De certa forma, é o que continua sendo. Mesmo quando são livros "para ler", a parte de arte é fortíssima.

Essa reedição do "Vigo, Vulgo Almereyda" e "Jean Vigo" que fizeram é uma coisa espetacular. Tem até índice onomástico, essa raridade em livros brasileiros.

Junto, vêm os filmes com as obras completas do Vigo, que já tinham saído.

A única porém decisiva mudança é que aqui foi acrescentada a edição do programa "Cineastas do Nosso Tempo" (90 minutos) dedicada a Vigo.

No mais, uma documentação iconográfica preciosa.

O problema: a caixa (2 livros com os DVDs) sai por R$ 150,00 mais ou menos.

Mas para quem precisa dar um presente de Natal belo e chique, vem a calhar. Se a pessoa quiser exibir, pega bem. Se quiser ler, melhor ainda.

Do livro de Paulo Emilio, já sabemos: é um trabalho espetacular.

O "Cineastas do Nosso Tempo" é especial, sobretudo pela participação de Nounez, o produtor de Vigo, e que resolveu produzir Vigo porque não aguentava ver tanta coisa chata no cinema e queria ver algo diferente. Figura notável.

 (Acima, uma ceninha de "Zero em Comportamento" que ninguém consegue esquecer: Vigo, alguém disse, foi o Rimbaud do cinema. Ninguém dava muita importância a ele, em vida. Hoje se sabe que foi um mestre da poesia e da rebeldia. Um anarquista que morreu prematuramente, um amador do cinema e da liberdade, do cinema-liberdade).

Por Inácio Araujo às 16h12


14/10/2009

Outro cineasta preso, Jafar Panahi


Não me lembro de ter lido notícia no Brasil a respeito. Li na última edição dos "Cahiers" que encontrei (capa para o soberbo "Singularidades de uma Rapariga Loura", de Manoel de Oliveira) que Jafar Panahi, o autor de "O Balão Branco", "O Círculo" e outros mais foi preso no Irã, em 30 de julho, após uma manifestação de protesto contra possível fraude em eleições presidenciais.

O próprio Jafar não filmava desde a primeira eleição de Ahmadinejad.

Que seus filmes fossem censurados no Irã já é coisa detestável. Sua prisão, coisa impossível.

Claro, outros cineastas iranianos não são malucos de protestar. Mas aqui no Brasil não existe esse risco.

E, se bem me lembro, existe um encontro programado entre o presidente Lula e Ahmadinejad.

Os cineastas brasileiros (mas não só) não vão mandar um recado via Lula?

E não só eles. Esse tipo de prisão (já para não falar das pressões adjacentes) é moralmente abjeto e fala amplamente sobre os regimes políticos envolvidos.

(É claro, assim como não sabia da prisão, não sei se foi libertado, mas me parece que isso não altera muito o quadro).

Por Inácio Araujo às 12h38


Sobre o autor

Inácio Araújo é crítico de cinema do jornal Folha de S.Paulo, autor de dois livros sobre o assunto: "Hitchcock, o Mestre do Medo" e "Cinema, o Mundo em Movimento". É escritor, autor do romance "Casa de Meninas" (prêmio APCA de autor revelação, 1987, em 2a. ed. pela Imprensa Oficial do Estado/SP), do romance juvenil "Uma Chance na Vida".

Entre os anos 1970 e 1980, foi montador, roteirista e assistente de direção e montagem em diversas produções. Escreveu, montou e dirigiu "Aula de Sanfona", episódio do filme "As Safadas" (1982).

Sobre o blog

Quem primeiro sonhou com este título foi Jairo Fereira. Como ele o abandonou e deu a seu livro o nome "Cinema de Invenção", eu lhe disse que um dia faria alguma coisa com ele.

Que seja agora. O boca a boca foi a mais fantástica instituição do cinema. Alguém ia ver um filme, gostava, comentava com amigos. Eles iam ver e, com isso, filmes que às vezes haviam começado a carreira sem força, ganhavam bilheteria e ficavam várias semanas em exibição.

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