UOL Cinema

03/10/2009

Ou Vai ou Racha ou Que Viva Rio!


Pego de empréstimo esses títulos ilustres: o fantástico filme de Frank Tashlin, acho que o último da dupla Jerry Lewis & Dean Martin, e aquele de imagens fantásticas que o Eisenstein nunca pôde terminar.

Essa a história: me parece uma oportunidade única de fazer as coisas andarem. Da infraestrutura à educação.

Isso se fizer tudo direito, claro.

É também uma oportunidade única para incompetência e roubalheira.

Quem vencerá?

O início, ou seja, a campanha, foi exemplar. Esse clipe (do Fernando Meirelles, não é?) aí em cima, por exemplo, é tudo de sedutor que o cinema (publicitário ou não) é capaz de criar.

É o sonho do Adhemar Gonzaga: o Brasil sem nenhuma contradição.

É um Rio de sonho e, caramba, eu que mal estava me dando conta dessa história de Olimpíadas, me vejo sonhando junto. Ou vai ou racha: Viva Rio.

Por Inácio Araujo às 14h40


Mais sexy do mundo: um título que cai bem em Kate


Kate Beckinsale, inglesa, 36 anos, foi escolhida a mulher mais sexy do mundo pela revista Squire.

Adoro esse tipo de eleição (ou escolha, tanto faz). Não é uma coisa mundana, mas algo que faz parte do cinema, desde Theda Bara, desde Rodolfo Valentino.

Depois, a escolha me parece ótima, a começar porque antes dela a escolhida foi Halle Berry. Digna sucessora. Além disso, não é uma daquelas escolhas determinadas pela evidência em que se encontra a pessoa. Desde que a vi pela primeira vez, num filme inglês que já não lembro qual é, fiquei encantado. Basicamente nada mudou na gestualidade, no modo de falar. A beleza ficou mais amadurecida e tal. Nesta entrevista é fantástica a maneira como cruza os braços, ninguém faz isso.

Beckinsale é ótima atriz (o que não é grande vantagem, sendo inglesa). E é sexy. Mas me pergunto o que é ser sexy. Quando bate os olhos em alguém, gente sabe que é sexy.

Mas o que é isso? Que diabo é ser sexy? Alguém arrisca uma definição?

E no Brasil quem seria a eleita? Minha sugestão, por hoje, é Alessandra Negrini, pelos filmes que fez com o Bressane.

Para homem não tenho chute no momento.

Por Inácio Araujo às 10h30


02/10/2009

Um "Trópico" para Bernardo Vorobow


Só agora tive tempo e sossego para abrir o Trópico (http://p.php.uol.com.br/tropico/html/index.shl) com três artigos relembrando Bernardo Vorobow, fantástico animador cinematográfico que morreu no fim de julho deste ano.

São textos de Walter Salles Jr., Carlos Reichenbach e Carlos Adriano que evocam tanto a generosidade que o caracterizava e refletem sobre a importante contribuição de Bernardo para a criação, a difusão e a preservação do cinema entre nós.

As fotos ali são mais do que ilustrações: são reflexos muito fiéis de sua personalidade.

Por Inácio Araujo às 17h57


30/09/2009

De Palma e a busca de novos ângulos de visão

 

Já que "Redacted" continua inédito no Brasil, vamos ficar com dois trechos do extra, um ótimo documentário francês que acompanha o DVD de "Saudações". No primeiro, ele fala de sua abordagem do cinema, de como (e quanto) Hitchcock o inspira. Mas podemos também ver um pouco o que os diferencia. A busca de filmar o lado oposto, em "Vestida para Matar", fazendo assim diferente do Hitchcock de "Um Corpo que Cai", a importância da divisão do quadro em duas ou mais imagens dão uma idéia de seu projeto cinematográfico.

O segundo fragmento gira em torno do assassinato de Kennedy, fato traumático e essencial para sua geração. Trata-se aqui, sobretudo, de um filme de amador que registrou a morte do presidente dos EUA e do fato de a câmera nunca ter se desviado (para onde estava o atirador). Seria essa a obsessão de DePalma, ver sempre a imagem alternativa. Algo presente na sua obra-prima que é "Blow Out - Um Tiro na Noite".

Observação: os trechos de documentário cedidos pela distribuidora, a Lume, estão em cópia de trabalho. Há alguns erros de tradução que, espero, tenham sido corrigidos na versão final. O mais grave deles é quando se faz referência a "Pulsions", de 1960. Todo mundo terá notado que se trata de "Vestida para Matar", de 1980.

Um pequeno fragmento desse grande filme que é "Redacted", eleito filme do ano pela redação da "Cahiers du Cinéma", mas tristemente inédito no Brasil, em filme, em vídeo, em TV, em celular, em forno micro-ondas, em tudo. A imagem inicial, noite, mostra alguém que coloca um artefato em algum lugar. Que câmera capta seus movimentos? Pelo enquadramento, uma câmera árabe. Depois, vemos os soldados em ação, no que a TV nos mostrava como uma guerra simples, limpa, sem problemas: a tensão entre eles é horrorosa. Por fim, depois da morte do sargento, retorna-se à fonte original. Todo o filme trabalha com essas diversas fontes: as câmeras de segurança, as câmeras amadoras etc. Espera-se que o filme ainda entre nos cinemas, porque a ficção que vemos anda muito vagabunda.

Por Inácio Araujo às 16h32


28/09/2009

Liberdade para Polanski

Um comentário geral:

No começo, nessa discussão. a sociabilidade, no mais das vezes, se impôs e foi possível trocar idéias de maneira produtiva.

Excluem-se, evidentemente, os mata-esfola que queriam castrar o Polanski (e a quem discordasse deles). Esses comentários foram jogados fora logo.

De uns tempos para cá, a maioria dos argumentos se repete, com mais ênfase, emocionalidade meio exacerbada, essas coisas. Por isso me parece que é hora de descansar um pouco a cabeça no travesseiro e cada um refletir a respeito.

Vamos em frente, que o Brian de Palma está na fila.

Abaixo, o post original? 

 

É uma pena que o Almanakito da Maria do Rosário Caetano, grande fonte de informação sobre cinema, circule só em lista restrita.

Nele me dou conta da gravidade que consiste na prisão de Roman Polanski na Suíça.

É um homem de 76 anos de idade, nessa altura, e não faz nenhum sentido, a não ser por puritanismo doentio, persegui-lo fora dos EUA, onde teria sido cometido o crime, há mais de 30 anos!

O crime, diga-se é de ter mantido relações sexuais com uma menor. Não entro no mérito da acusação, nem da defesa. Mas, caramba, todos sabemos que o mundo é um lugar impuro e é nele que Polanski vive, como réu ou como vítima.

É uma dessas coisas que não honram a América: esse espírito rancoroso que, de tempos em tempos, se levanta e pretende depor um presidente (Clinton) porque transou com uma estagiária, impor que Darwin é um idiota e que o mundo foi criado pelo bafo de Deus, ou ainda castigar um homem quase octagenário por um suposto crime de costumes, de mais 30 anos atrás.

Ora, das imoralidades americanas pelo mundo perde-se a conta. Não temos que ir muito longe. Basta ir ao Iraque dos tempos de Bush. 

Mas, para falar a verdade, essa prisão revoltante também não honra nadinha a Suíça, aonde ele tinha ido para ser homenageado pelo Festival de Zurique.

Ora, Polanski passou pelo Holocausto, todos sabemos, ao qual sobreviveu. Sabemos também que a Suíça tem as mãos mais que sujas (ou, mais exatamente, seus bancos) nessa história de Holocausto. Então, que parem de encher e libertem Polanski de uma vez. 

Por Inácio Araujo às 16h41


Sobre o autor

Inácio Araújo é crítico de cinema do jornal Folha de S.Paulo, autor de dois livros sobre o assunto: "Hitchcock, o Mestre do Medo" e "Cinema, o Mundo em Movimento". É escritor, autor do romance "Casa de Meninas" (prêmio APCA de autor revelação, 1987, em 2a. ed. pela Imprensa Oficial do Estado/SP), do romance juvenil "Uma Chance na Vida".

Entre os anos 1970 e 1980, foi montador, roteirista e assistente de direção e montagem em diversas produções. Escreveu, montou e dirigiu "Aula de Sanfona", episódio do filme "As Safadas" (1982).

Sobre o blog

Quem primeiro sonhou com este título foi Jairo Fereira. Como ele o abandonou e deu a seu livro o nome "Cinema de Invenção", eu lhe disse que um dia faria alguma coisa com ele.

Que seja agora. O boca a boca foi a mais fantástica instituição do cinema. Alguém ia ver um filme, gostava, comentava com amigos. Eles iam ver e, com isso, filmes que às vezes haviam começado a carreira sem força, ganhavam bilheteria e ficavam várias semanas em exibição.

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