UOL Cinema

12/09/2009

Stallone Xuxa

 

Um prêmio para Stallone em Veneza?

Bem, ninguém mais poderá reclamar do prêmio que Grmado deu para a Xuxa.

E a Xuxa disse ao Merten: "eles vão ter que me engolir".

E o Stallone dirá "eles vão ter que me engolir".

Mas é sobretudo a indústria dos festivais que nos desafia hoje.

O que signfica isso tudo? É algo que beneficia o cinema como um todo, isto é, a produção, a difusão, o entendimento?

Ou só uma oportunidade de bons negócios?

 

Por Inácio Araujo às 13h29


09/09/2009

TVs públicas e vícios privados


Desde que Roberto Muylaert saiu, e já vai muito tempo, a TV Cultura começou a se degradar.

Com o tempo, decidiu colocar anúncios.

Como já imitava a Globo (como todas as outras) sem nenhuma inibição, apenas desajeitadamente, ficou enfim com a cara de uma TV comercial.

A diferença é que faz propaganda do governo estadual na cara de pau.

Outro dia passou uma reportagem de minutos e minutos sobre certo Banco do Povo Paulista, ou algo assim que ninguém sabe o que é.

A TV Brasil até agora não deu nenhum sinal consistente de que está no caminho de se tornar algo diferente da velha TVE do Rio.

Acho que nem pra fazer propaganda do governo serve. Tem uns documentários que eu não consigo ver por mais de 10 segundos.

Nesse panorama desgraçado aparece a Sesc TV. Quer dizer, já existia, eu é que não via há muito tempo.

Acho que Net andou jogando o Sesc de cá pra lá. Agora é canal 137 (aqui em SP, deve mudar em outros estados).

Para mim é uma surpresa. Tem programas de cinema, teatro, artes plásticas, fotografia e dança (isso eu já verifiquei, não é?).

Mas, mais do que isso, não cultiva essa idéia de que "fazer TV" consiste em cortar a palavra do entrevistado assim que ele completa meia frase e depois montar tudo conforme o nariz do produtor ou de lá quem seja.

As pessoas falam, refletem, expõem suas idéias. Vemos suas obras, conhecemos eventualmente seus trajetos.

Não faz da trapaça um princípio, como os History Channel e similares.

Acho uma experiência que merece ser feita, não só pelas coisas que se pode ver lá (e em nenhum outro canal) como pelo inusitado de ver um lugar onde as pessoas são respeitadas e apresentadas como pessoas, não como fantoches a serviço da suposta "linguagem de TV".

Talvez por falta de espectadores, não vi anúncios lá. Espero que continue pobre e honrada.

Por Inácio Araujo às 19h39


06/09/2009

"Amantes": filme belíssimo


Aparentemente, "Amantes" não tem nada de mais. Lá está um rapaz meio perdido na vida a quem, de repente, se dá a oportunidade de um casamento com uma bela e simpática moça, o que seria, também, oportunidade para um negócio familiar (juntar as tinturarias dos respectivos pais).

Ao mesmo tempo, ele conhece uma vizinha por quem se apaixona imediatamente, talvez porque adivinhe que ela é tão frágil quanto ele.

Adivinhamos ou acreditamos adivinhar que nunca vai dar certo a história dele com a vizinha, porque eles são muito parecidos. Mas isso não importa, primeiro porque os filmes têm margens de imprevisibilidade, segundo porque o que importa é o encaminhamento do final, terceiro porque o que experimentamos é sempre o presente ("o cinema é presente, presente contínuo", dizia Robert Bresson).

Mas o que importa não é tanto a história. James Gray não cria personagens, mas pessoas, as cerca de um meio, de circunstâncias, de gostos, de detalhes. Por exemplo, a atitude da mãe em relação ao filho, que vai da proteção extrema à investigação: tudo sem palavras.

Os atores não são estrelas. Você olha Gwyneth Paltrow e não vê alguém que diz "eu vou interpretar uma girl next door". Você vê a girl next door. Isso para não falar do Joaquin Phoenix, que está excepcional.

Uma coisa a notar: nada explica nada. Isso é algo muito fora da convenção. No início, existe uma tentativa de suicídio e a constatação de que o rapaz (Phoenix) não tomou seu remédio para transtorno  bipolar. Ora, veremos depois que isso não tem nada a ver com a maneira como ele se comporta.

O comportamento da Gwyneth também não se explica pelas experiências que vemos no filme. Quando tudo leva a pensar que ela vai fazer uma coisa, faz completamente o contrário, quer dizer, algo muito parecido com o que acontece na vida e, raramente, no cinema.

Porque o cinema tem se tornado um espetáculo onde vamos à espera de ver cinema, e não seres humanos. Então nos deparamos com convenções cinematográficas a cada esquina.

Vale a pena dar uma olhada no final. Parece que James Gray vai se afundar na retórica, no "gran finale". Parece que vai, enfim, "fazer cinema". Nada disso. Ele nos leva até a borda do abismo e sai dali com uma elegância exemplar. É um alto e comovente melodrama, um desses filmes que ver causa uma alegria enorme.

Por Inácio Araujo às 13h11


Sobre o autor

Inácio Araújo é crítico de cinema do jornal Folha de S.Paulo, autor de dois livros sobre o assunto: "Hitchcock, o Mestre do Medo" e "Cinema, o Mundo em Movimento". É escritor, autor do romance "Casa de Meninas" (prêmio APCA de autor revelação, 1987, em 2a. ed. pela Imprensa Oficial do Estado/SP), do romance juvenil "Uma Chance na Vida".

Entre os anos 1970 e 1980, foi montador, roteirista e assistente de direção e montagem em diversas produções. Escreveu, montou e dirigiu "Aula de Sanfona", episódio do filme "As Safadas" (1982).

Sobre o blog

Quem primeiro sonhou com este título foi Jairo Fereira. Como ele o abandonou e deu a seu livro o nome "Cinema de Invenção", eu lhe disse que um dia faria alguma coisa com ele.

Que seja agora. O boca a boca foi a mais fantástica instituição do cinema. Alguém ia ver um filme, gostava, comentava com amigos. Eles iam ver e, com isso, filmes que às vezes haviam começado a carreira sem força, ganhavam bilheteria e ficavam várias semanas em exibição.

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