ATENÇÃO: abaixo do texto, coloquei as correções e esclarecimentos enviados por Ciro Bonilha, assessor de imprensa da Secretaria de Estado da Cultura SP.
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Muito bom a Secretaria de Estado da Cultura SP dar R$ 12 milhões para o cinema, como foi anunciado.
Será melhor se outras secretarias e ministérios fizerem o possível.
Mas o que me pergunto é se isso será suficiente.
Minhas dúvidas vão abaixo:
1. Por que a Secretaria não restaura o modelo do PIC-TV, em que ela própria foi sócia, que permite uma avaliação dos projetos um pouco menos dependente das subjetividades do júri (por melhor que ele seja).
Aliás, por que não se restaura o antigo vínculo da TV com o cinema? Até hoje ele rende boas exibições de filmes à TV Cultura.
2. Se uma parte desse dinheiro é destinada a desenvolvimento de séries de TV, não seria conveniente usar uma parte dele para um programa de estudo das séries de TV? Afinal, o que se quer com elas?
Um modelo comercial, à maneira do que a TV Cultura parece perseguir atualmente? Ou um modelo mais educativo, à maneira da RAI italiana na época de Rossellini?
Temo que estejamos despreparados para os dois. Os americanos têm o imenso know how de Hollywood (e nas séries em geral desagua o saber dos velhos independentes, hoje sem espaço na produção para cinema). Os italianos vêm de décadas de Instituto Luce, mais escola, mais Rossellini etc.
Se não se tiver muito cuidado nisso, será como jogar, de novo, dinheiro fora (coisa que a Embrafilme já fez em outros tempos).
3. Por que não se pensa na distribuição como um investimento de que poderia se ocupar o Estado de SP?
No tempo em que a Riofilme era uma distribuidora nacional, os cineastas paulistas queriam criar uma distribuidora paulista. Hoje que a Riofilme está toda detonada e não serve para nada, ninguém mais agita essa idéia.
Fico com a impressão de que se adota hoje o modelo tradicional, em que se incentiva a produção e depois seja o que Deus quiser.
4. Eu me sinto um pouco idiota falando de marketing a três por dois.
A idéia que se tem é de que marketing é uma maneira de enfiar um candidato a qualquer cargo goela abaixo dos eleitores, apresentando-o tal como ele não é.
Não é bem isso. O cinema é, também, um produto. Da arte nos ocupamos nós, mas é preciso saber com quem se dialoga, que produto se tem nas mãos, o que se está vendendo. Isso orienta a feitura do trailer, da publicidade e eventualmente aspectos do próprio filme.
Fora isso estamos no território da intuição do produtor, ou seja, do puro empirismo. Um trabalho de marketing teria evitado o desastre que foi o lançamento do filme do Mojica.
5. Para terminar: abro o Houaiss e vejo a palavra fomento.
Ela pode significar: alívio, consolo, ajuda. Todas palavras, enfim, do lexico paternal. Mas pode significar também: estímulo, apoio, impulso.
Não estaria esse tipo de trabalho na esfera da Ancine, por exemplo? E não seria melhor ela fazer essas coisas, em vez de se tornar uma burocracia galopante feita, em princípio, para gravitar em torno da arte, mas que com o tempo ganha autonomia e passa a fazer a arte gravitar em torno dela?
O dinheiro é essencial, mas não é tudo. O cinema precisa de um empurrão, eu penso no cinema independente, claro, para seguir existindo saudável, sendo realizado, exibido e visto. Isso exige um trabalho, uma política.
Ela deve existir. Eu é que, provavelmente, não consigo enxergar.
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Resposta de Ciro Bonilha:
Em relação ao comentário sobre editais de incentivo ao cinema, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Cultura presta alguns esclarecimentos:
- O edital de Concurso de Apoio à Realização de Projetos de Telefilme Inédito no Estado de São Paulo (Telefilmes Cultura) não oferece verba à realização de séries de TV. Como o próprio nome indica, trata-se de um concurso para a produção de filmes destinados à exibição em televisão.
- O edital, realizado em parceria com a Fundação Padre Anchieta, tem entre seus objetivos promover uma efetiva parceria entre cinema e TV, ao prever aporte de recursos da Secretaria de Estado da Cultura e fornecimento de equipamentos da TV Cultura, assim como a realização dos telefilmes por produtores independentes.
- A Secretaria de Estado da Cultura tem uma política para a atividade cinematográfica, pois além da publicação de editais, como os três lançados agora, que destinam mais de R$ 12 milhões à área, a instituição reservou R$ 7,5 milhões em 2009 para o programa "Vá ao Cinema", subsidiando o consumo, algo que nunca havia sido feito no Brasil. O "Vá ao Cinema" leva em consideração que não basta liberar recursos para que os filmes sejam feitos, sem pensar em como o público poderá ter acesso a eles. Com ele, o Governo estimula o hábito de ir ao cinema nos jovens, auxilia os cinemas do Estado a permanecerem abertos e a cumprir a cota de tela com público em suas salas, e promove o acesso da população do interior e litoral do Estado a produções nacionais lançadas simultaneamente nas grandes cidades brasileiras.